Você vê vasos e jardineiras lindos em fotos, e se pergunta se pode obter os mesmos resultados? A resposta é sim, qualquer pessoa pode ter vasos incríveis, porém algumas regras precisam ser seguidas com atenção. Neste guia explicamos os principais pontos a se considerar durante a escolha dos vasos, substrato e plantas além de darmos importantes dicas para melhorar seu solo e quais as boas práticas de fertilização!

Atenção: O foco deste guia são plantas anuais. Plantas perenes, folhagens e plantas domésticas podem possuir necessidades diferentes das descritas aqui. Recomendamos a leitura de qualquer forma pois grande parte das informações é válida para qualquer cultura! 

Vasos de Anuais

Vasos são a forma mais fácil de se cultivar plantas: você tem controle total sobre o substrato, umidade, quantidade de sol e fertilização. Isso significa que é possível criar o ambiente ideal para o desenvolvimento e floração muito mais facilmente do que num canteiro, onde problemas com solo e drenagem são complicados de se contornar.

O primeiro passo para o sucesso é fazer as escolhas certas:

Escolhendo o vaso

Sempre utilize vasos grandes. Vasos pequenos são bonitos para decoração, mas para as plantas não são a melhor escolha. Algumas vantagens que podem ser listadas para vasos maiores:

- As raízes das plantas terão mais espaço para crescer e elas ficarão maiores e mais resistentes. Vasos pequenos são rapidamente colonizados pelas raízes e o crescimento das plantas fica estagnado com o passar do tempo.

- Quanto menor o vaso, mais suscetível ele estará ao calor do sol, e em sol pleno durante o verão as temperaturas podem passar dos 40ºC na região das raízes, o que é extremamente prejudicial. Vasos grandes e volumosos mantem sua temperatura muito mais constante e próxima da encontrada no solo.

- Quanto menor o volume do vaso, menos água ele consegue reter e mais regas serão necessárias.

O material também é importante e vasos de plástico, apesar de não serem os mais bonitos, são preferíveis. Barro e cerâmica são porosos e permitem a evaporação pelas paredes, tornando quase impossível manter o solo úmido em locais ensolarados ou com muito vento.

Materiais brancos ou claros refletem mais a luz do sol, portanto esquentam menos. Evite utilizar vasos pretos.

 

Escolhendo as plantas

É importante escolher plantas compatíveis com clima e quantidade de luz que seu vaso irá receber. É de se esperar que você não tenha bons resultados ao plantar flores típicas de montanhas frias em um local quente e próximo ao mar, ou a utilizar espécies de sol pleno em um local que recebe 2 horas de sol diárias. Olhe ao seu redor, e veja o que está crescendo bem em jardins públicos, jardins de prédios e até mesmo na casa dos seus vizinhos. Esta é a melhor forma de saber quais as melhores plantas para a sua região.

Ao comprar sementes conosco, você pode utilizar o menu "Tipos de Plantas" para filtrar pela característica que melhor descreve seu clima, e ver os resultados! Independente de frio ou calor, são muitas variedades disponíveis e certamente alguma irá atender suas necessidades.

Entendemos que é normal ter vontade de plantar alguma espécie mesmo que ela não seja indicada para nossa região - e concordamos que a melhor maneira de saber é testando! - mas neste caso é interessante utilzá-la como personagem secundário e não como a "atração principal". Caso o cultivo não dê certo, você ainda terá diversas outras flores para chamar a atenção.

Lembre-se também que a grande maioria das sementes que trabalhamos são híbridas e importadas, portanto diferentes das plantas que você encontra em centros de jardinagem. A genética melhorada dessas espécies faz muita diferença no desempenho delas, seja na quantidade de flores, tempo de floração e resistência à doenças. Utilizando nossas sementes, você já começa com uma vantagem!

 

Escolhendo o substrato

O substrato é onde as raízes vão crescer, e é o grande diferencial para o bom ou mau crescimento das plantas. Em vasos, a primeira prioridade sempre deve ser garantir que o solo esteja bem aerado e com boa drenagem.

Evite o uso de terra vegetal, pois é muito pesada, compacta (pouco aerada) e retém a água por muito tempo. Areia é uma opção ainda pior, pois por ser tão fina não permite a circulação de oxigênio. Pó de coco e pó de xaxim também devem ser evitados: como são orgânicos, rapidamente se decompõe e perdem a textura, virando algo parecido com a terra vegetal.

Humus, esterco e outros adubos naturais não são próprios para uso em vasos e sua utilização não é recomendável.

O ideal é utilizar substratos prontos para vasos com base de turfa e pH corrigido para algo próximo de 6.0 (o aceitável está entre 5,5 e 6,5). É possível encontrar este tipo de insumo na maioria das casas de jardinagem.

 

Receita para melhor o solo

Para melhorar a qualidade do solo, recomendamos uma receita que consiste em fazer a seguinte mistura:

- 2 partes de de substrato de turfa ou terra
- 2 partes de cascas de pinus trituradas (o tamanho ideal é 3 a 4 milímetros, não em forma de pó!)
- 1 parte de perlita
- 1 colher de sopa de calcário dolomítico para cada 8 litros de mistura (para corrigir o pH pois o pinus é levemente ácido)

Após terminar, molhe levemente e deixe descansando por 1 semana, para garantir que o calcário tenha reagido completamente.

Ao fazer esta mistura você terá como resultado um composto muito mais grosso e aerado e que retém menos água, otimizando ao máximo as condições para o bom crescimento das raízes.

Mix Pronto
Mix pronto para uso, repare na textura

Contrariando a crença popular, um solo que retém água não é bom para a planta - ele é bom para o jardineiro, que tem menos trabalho pois as regas são menos frequentes!

Mas atenção, é preciso levar em consideração que, apesar de ser excelente para as suas plantas, esta mistura irá secar muito mais rápido que terra comum ou substrato puro. Durante o verão pode exigir até mesmo regas duas vezes ao dia em locais quentes.

Caso isso seja um problema para você, é possível alterar as proporções para utilizar mais substrato do que pinus. O desempenho da planta poderá piorar, mas é melhor manter um substrato não tão ótimo e suas plantas vivas do que um substrato ótimo onde elas irão secar!

 

E esta receita de fato faz alguma diferença?

A resposta é sim, e ela pode ser notada principalmente em duas situações:

1. Os vasos acabaram de ser plantados e as raízes ainda não ocuparam todo o espaço disponível

Isso significa que em grande parte do vaso você terá água acumulada que está prejudicando a circulação de oxigênio e ao mesmo tempo não está disponível para as plantas (leia mais sobre o assunto abaixo em "O mito da drenagem"). Ao utilizar a receita, o substrato fica com a textura muito mais grossa, retém menos água, e praticamente acaba com este problema.

2. Os vasos já estão com plantas há muitos meses

O substrato/terra puros perdem suas qualidades com o passar do tempo, ficando ou arenosos ou com consistência de argila. Quando você pega a terra com as mãos e consegue fazer uma bolinha com a ponta dos dedos, é sinal de que a textura foi perdida e as raízes estão crescendo em condições muito ruins. Utilizando a receita, você assegura que o solo irá manter sua estrutura intacta por toda a temporada de crescimento, pois as cascas de pinus demoram muito tempo para decompor.

Ainda assim, não recomendamos utilizar o solo por mais de uma temporada. Para evitar problemas, ao plantar mudas novas sempre use solo novo!

Veja esta comparação entre duas petúnias. Ambas são a mesma variedade, plantadas no mesmo dia e em condições exatamente iguais. O vaso da esquerda tem a mistura de substrato, cascas de pinus e perlita, e o da direita apenas substrato puro:

Comparação entre substratos

 

O mito da drenagem

Ao ler sobre a montagem de vasos, é comum encontrar referências dizendo que é importante utilizar argila expandida (ou equivalentes) no fundo dos vasos para garantir boa drenagem. Isto é um mito e não ajuda em nada na liberação da água - na verdade está atrapalhando. Entenda o porquê:

Sem entrar em detalhes técnicos, podemos dizer que há duas forças principais responsáveis pelo movimento da água no solo - uma é a gravidade e a outra a ação capilar.

Não precisamos explicar que a gravidade obviamente está fazendo com que a água desça. Já a capilaridade é a propriedade física que os fluidos têm de subirem ou descerem em espaços extremamente estreitos (o espaço entre os grãos de terra, no caso). Essa ação pode fazer com que líquidos fluam mesmo contra a força da gravidade.

Um exemplo simples para entender essas duas forças - Imagine um papel toalha entrando em contato com a água. A água penetra no papel, e sobe diversos centímetros acima da superfície. Ela não escoa de volta para a fonte e só para de subir quando as duas forças - capilar e gravitacional - se igualam.

O mesmo ocorre dentro dos vasos. Uma parte da água irá escorrer pelos furos de drenagem, mas sempre sobrará um "bolsão" no fundo do vaso que está em equilíbrio e não sairá, independente ou não da presença de argila expandida. Quanto menor o grão do substrato, mais alto será o bolsão e, ao utilizar qualquer material no fundo do vaso, você está ao mesmo tempo diminuindo o espaço para as raízes e fazendo com que a água parada fique ainda mais alta em relação ao fundo.

Portanto, ao montar vasos, simplesmente garanta que os furos de drenagem tenham tamanho adequado e preencha todo o espaço com substrato!

E como solucionar este problema? Como a altura do bolsão é constante independente do tamanho do vaso, quanto mais alto for o vaso, mais espaço as raízes terão livres da água parada. Outra solução é utilizar grãos maiores que 3 mm (veja nossa receita de solo logo acima), pois o espaço entre eles se torna largo demais para que a ação capilar tenha alguma influência.

 

Fertilizante

O solo do seu jardim é cheio de vida e é o palco constante de reações químicas com liberação de nitrogênio, fósforo, potássio e outros nutrientes. Em vasos, no entanto, a situação é completamente diferente: Além das reações ocorrerem em muito menor escala, estamos diariamente molhando o vaso e literalmente jogando fora os nutrientes fora pelos buracos de drenagem.

Para contornar esta situação, é importante ter um bom regime de fertilização para todos os vasos do seu jardim. Recomendamos a combinação de fertilizantes químicos líquidos junto com fertilizantes de liberação controlada.

1. Fertilizantes Líquidos

É comum sugestões de aplicação a cada 15 dias, ou 1 mês. Para plantas perenes ou sensíveis, esta aplicação está dentro do desejado, porém para anuais em crescimento, é preciso aumentar muito a frequência.

Plantas anuais iniciam e encerram seu ciclo de vida em menos de um ano, e nesse período irão literalmente florescer até a morte. O único objetivo delas é produzir o máximo de sementes possível, e por isso utilizam muito mais energia do que as espécies perenes, cujo período de floração geralmente é muito mais curto e limitado.

O ideal seria utilizar fertilizante diariamente, em quantidades muito pequenas. No entanto, o processo é trabalhoso e sabemos que não é viável para a maioria das pessoas. Nossa recomendação é aplicar 1 vez por semana utilizando metade da concentração indicada na embalagem. Se estiver cultivando sementes, comece a adubar quando as mudas tiverem 2 pares de folhas.

Aplique sempre na região das raízes pois a absorção é melhor do que quando aplicado na folhagem, e garanta que o substrato esteja bem molhado e as raízes hidratadas antes da aplicação! O adubo pode matar suas plantas se aplicados em solo seco.

Com a chegada do outono/inverno a aplicação pode ser a cada 10 dias e em concentrações menores, pois o crescimento ocorre muito mais lentamente.


2. Fertilizante de liberação controlada

Pouco conhecidos em nosso país, os fertilizantes de liberação controlada vem em pequenas cápsulas que são misturadas diretamente no solo, e fazem muita diferença no resultado final!

O fertilizante em si está contido dentro das cápsulas, que, com a ação da água e temperatura, vão liberando aos poucos o conteúdo para as raízes das plantas. Desta forma elas recebem um fluxo constante de nutrientes, e o melhor ainda: na medida certa.

Durante o verão, com temperaturas altas e regas frequentes, mais fertilizante é liberado para dar suporte ao crescimento acelerado das plantas. Já no inverno, quando as plantas crescem muito pouco, a liberação é bem mais lenta.

Sua utilização é importante para garantir que, mesmo quando o fertilizante líquido não for aplicado, os nutrientes estejam disponíveis em abundância. As diferenças de crescimento durante o verão são nítidas ao se comparar vasos com e sem a aplicação deste tipo de adubo.

Temos disponível em nossa loja o Osmocote Plus, que é um fertilizante de liberação controlada importado, com a vantagem de possuir micronutrientes em sua fórmula, além do tradicional N-P-K. Se você está plantando anuais de floração intensa como petúnias, vincas, zínias ou impatiens, recomendamos fortemente o uso do Osmocote. Compre já!

 

 Espaçamento

Na hora de plantar é preciso estar atento para não exagerar. As plantas podem ainda estar pequenas, e temos o impulso de querer que o vaso tenha uma aparência cheia desde o princípio,

Lembre-se que elas irão crescer e é importante que haja espaço para todas. É comum que em vasos muito cheios, uma espécie mais vigorosa cubra as outras, literalmente tampando todo o sol e eventualmente matando as mudas mais fracas.

Utilize uma régua ou algum outro objeto como referência, e sempre leve em consideração o tamanho adulto da espécie que está sendo utilizada. 

 

Esperamos que tenham aproveitado a leitura e que suas dúvidas tenham sido respondidas!